Segurança em movimento: freeride como os profissionais
01/2025
@FWT, Romeo Ceas / Videos by Ethan Herman
FWT, Romeo Ceas / Videos by Ethan Herman
Lena Wimmer
O Freeride World Tour (FWT) é o auge do panorama do freeride, onde os melhores atletas da modalidade se reúnem para competir. Ao longo de seis eventos, cerca de 60 esquiadores e praticantes de snowboard procuram as linhas mais espetaculares, demonstrando o melhor que o esqui e o snowboard freeride têm para oferecer. Na temporada 2024/25, a Mammut junta-se pela primeira vez ao circuito como parceira oficial de segurança, trazendo a sua experiência e equipamento de topo para a segurança em avalanches para a competição.

Com a crescente popularidade dos desportos de freeride, a segurança assume uma importância cada vez maior — tanto para os praticantes amadores ambiciosos como para os atletas de elite que competem no Freeride World Tour. No arranque da temporada, em Baqueira-Beret, situada no coração dos Pirenéus espanhóis, juntou-se aos participantes Nadine Wallner, bicampeã mundial de freeride e atleta da Mammut. Como guia de montanha experiente, sabe por experiência própria como podem ser imprevisíveis as condições de inverno.
"Ao partilharmos conhecimentos e estratégias, ajudamos os praticantes a aventurarem-se fora de pista com maior segurança e responsabilidade."

Em conjunto com Jacqueline Miler, gestora de produto da Mammut para a segurança contra avalanches, Nadine Wallner desenvolveu um workshop abrangente de segurança para o Freeride World Tour (FWT). O objetivo: dotar os atletas de conhecimentos e estratégias essenciais para minimizar os riscos associados à prática de esqui e snowboard em terreno aberto. A RECCO, parceira de resgate oficial do circuito, também contribuiu para a conceção do workshop.
O freeride acarreta mais riscos do que esquiar em pistas preparadas. O terreno desconhecido, as mudanças repentinas das condições meteorológicas e o perigo de avalanches exigem atenção constante e uma preparação meticulosa. «Quando se trata de segurança em avalanches, há sempre algo novo para aprender», salienta Nadine. O workshop dá especial ênfase ao resgate em avalanches, sobretudo à localização e recuperação eficaz de vítimas soterradas numa situação de emergência. Os participantes treinam com equipamento essencial de segurança em avalanches, aprendendo a utilizar corretamente os detetores de vítimas de avalanche e a minimizar as interferências no sinal provocadas por outros dispositivos eletrónicos. «Quanto mais experiência e conhecimentos os praticantes trouxerem para o workshop», observa Nadine, «melhor poderão preparar-se para o imprevisto e reagir eficazmente em situações críticas.»
"A formação obrigatória em segurança é uma excelente oportunidade para aprofundar os seus conhecimentos — mesmo que já domine bem o tema."


Competição de freeride e segurança – uma contradição?
Os organizadores do Freeride World Tour dão prioridade à segurança dos atletas sem comprometer o espírito de competição. Em parceria com líderes do setor na área da segurança e do resgate em avalanches, o FWT implementa uma abordagem abrangente à gestão de riscos. O workshop obrigatório de segurança é apenas uma das muitas medidas concebidas para preparar os atletas para os desafios da competição em terreno aberto.
Seleção do localA escolha do local é feita por uma equipa de especialistas do FWT, em colaboração com guias de montanha e, muitas vezes, também com praticantes e guias locais. É necessário responder às seguintes perguntas: Há neve suficiente? A estrutura do manto de neve é estável e a qualidade da neve é suficientemente boa para uma competição? A segurança é o principal critério. O facto de os participantes descerem a grande velocidade, saltarem por cima de rochas altas e assumirem um certo nível de risco também é tido em conta na avaliação.
Trabalho preparatórioAssim que o local é confirmado, são implementadas medidas de segurança. As zonas perigosas são assinaladas e isoladas, a área de competição é definida e são provocadas avalanches controladas para reduzir os riscos.
Janela meteorológicaCondições de iluminação adequadas são cruciais para uma competição segura. Idealmente, isso significa quatro a cinco horas de sol e visibilidade desimpedida para todos os atletas. Como as condições de neve e meteorológicas são notoriamente imprevisíveis, a FWT funciona com uma janela meteorológica flexível de cinco a sete dias por evento.
Escolha da cordaComo decidem os atletas onde descer? Cada competidor recebe uma vasta coleção de imagens e vídeos, incluindo imagens captadas por drones, que lhes permite analisar o terreno e planear cuidadosamente as suas linhas. Este material visual detalhado ajuda-os a avaliar possíveis trajetórias, obstáculos e características importantes do local da prova antes de iniciarem a descida.
Avaliação da parede e pioneirosAntes do início da competição, os atletas reúnem-se na zona do júri para observar a face. Com binóculos, fazem uma última observação das linhas de descida que escolheram e veem os abridores em ação. Os abridores — esquiadores e praticantes de snowboard que não estão em competição — descem o percurso para ajudar os participantes a avaliar elementos importantes do terreno, como a dimensão das falésias e dos saltos, bem como as condições da neve. No dia do evento, os abridores fazem uma nova descida antes de os primeiros concorrentes partirem, proporcionando uma última avaliação da montanha.
Verificação do equipamentoAntes do início da competição, cada atleta é sujeito a uma verificação obrigatória do equipamento de segurança. O equipamento obrigatório inclui um transmissor-recetor de avalanches, uma pá, uma sonda e uma mochila com airbag. Além disso, os participantes devem usar um RECCOrefletor, um protetor de costas e um capacete.
Equipa de segurançaUma equipa de segurança dedicada está presente durante toda a competição. Tanto um médico como um guia estão posicionados nas linhas de partida e de chegada. Além disso, estão posicionados "ninjas do esqui" em locais estratégicos ao longo do percurso. Estes socorristas altamente qualificados, coordenados por rádio, intervêm quando um concorrente perde um esqui ou um bastão ao cair, ou necessita de assistência.
Critérios de avaliaçãoO controlo dos esquis ou da prancha de snowboard é um dos cinco critérios de avaliação — os restantes são a linha, a técnica, a fluidez e o ar e estilo. São deduzidos pontos se o atleta não conseguir aterrar um salto de forma limpa — seja tocando na neve com as costas, usando as mãos para recuperar o equilíbrio ou sofrendo uma queda completa. Este sistema de pontuação incentiva os concorrentes a equilibrar o risco e a execução ao escolherem as suas linhas.
A Freeride World Tour não se resume à competição — serve também como plataforma para sensibilizar para os riscos associados ao terreno fora de pista. Com o apoio da Mammut, a segurança contra avalanches continua a ser parte integrante deste emocionante desporto.
Os 4 essenciais
Praticar freeride sem o equipamento adequado é como conduzir sem cinto de segurança — imprudente e perigoso. Jacqueline Miler, gestora de produto de equipamento de segurança contra avalanches da Mammut, destaca a importância dos Essential 4: "Uma pá, uma sonda e um detetor de vítimas de avalanches são os elementos básicos incontestáveis da segurança contra avalanches. Mas, na nossa perspetiva, uma mochila airbag para avalanches é igualmente essencial. Pode ajudar a reduzir a profundidade do soterramento e a encurtar significativamente os tempos de resgate em caso de emergência."
Sobre o Freeride World Tour
O FIS Freeride World Tour (FWT) é um evento desportivo de classe mundial que atrai milhares de espectadores no local e cativa milhões de pessoas em todo o mundo. Com competições realizadas em destinos lendários de freeride, como Verbier, na Suíça, e Kicking Horse, no Canadá, o FWT serve de plataforma de lançamento para o reconhecimento internacional de atletas de topo, incluindo Sybille Blanjean, Nadine Wallner e Jérémie Heitz.









